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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
estratosfera
bem admiro as tertúlias
são vozes eriçadas
que volitam soberbas
sempre que as acariciam
as calandras
cada inserto que pousa
provoca um bizantino
é tanto absentismo
que colossais psicodramas
refestelam-se ao vento
só para tolerar o livre-arbítrio
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
obsceno
tão inóspita
a afonia
entre peles!
o sangue
desaprende
o caminho para
o enrubescer
da face.
nestas horas
de casto silêncio,
valham-me
todos os céus
que toquei
com língua
ardente!
no entrelace
de lembranças,
quiçá
role algum
gozo
surreal!
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a afonia
entre peles!
o sangue
desaprende
o caminho para
o enrubescer
da face.
nestas horas
de casto silêncio,
valham-me
todos os céus
que toquei
com língua
ardente!
no entrelace
de lembranças,
quiçá
role algum
gozo
surreal!
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
instinto
faltei à lição
sobre como usar
ferraduras
daí estes pés
escalavrados
deixarem rastros
disformes
o cabresto
(teima pendurado
no pescoço)
perdeu
sua intencional
utilidade no dia
em que me inscrevi
em uma disparada
as cicatrizes
não são
da cavalgadura
do tempo
mas do açoite
do vento
que implica
com os incautos
(não nascer covarde
foi meu castigo)
tu me segues?
não tenho
mais o motivo
que me fez evitar
os almoços em família
e já não corro
posso te aguardar?
sobre como usar
ferraduras
daí estes pés
escalavrados
deixarem rastros
disformes
o cabresto
(teima pendurado
no pescoço)
perdeu
sua intencional
utilidade no dia
em que me inscrevi
em uma disparada
as cicatrizes
não são
da cavalgadura
do tempo
mas do açoite
do vento
que implica
com os incautos
(não nascer covarde
foi meu castigo)
tu me segues?
não tenho
mais o motivo
que me fez evitar
os almoços em família
e já não corro
posso te aguardar?
sábado, 19 de novembro de 2011
declínio
estou sangrando
suspensa
por um fio de vida
preso à carne
equilibro-me
em nuvem
ébria
vejo aparas
de lucidez
esquartejadas
(no piso)
vazias
de sentido
sinto um frio
contorcendo-se
no estômago
e desato
a queda
faço do fardo
etílico um
amor...tecimento
suspensa
por um fio de vida
preso à carne
equilibro-me
em nuvem
ébria
vejo aparas
de lucidez
esquartejadas
(no piso)
vazias
de sentido
sinto um frio
contorcendo-se
no estômago
e desato
a queda
faço do fardo
etílico um
amor...tecimento
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
libido lunar
as genitálias
da noite
fremem
resfôlegos
pelas sombras
assombram
e um cheiro
de cio
fertiliza o ar
dou-me inteira
aos desatinos
da noite
fremem
resfôlegos
pelas sombras
assombram
e um cheiro
de cio
fertiliza o ar
dou-me inteira
aos desatinos
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
síntese
atravesso a vida
em pulos de sono
do que acordei
: tantas guerras insólitas
do que dormi
: talvez algum sonho pacificador
em pulos de sono
do que acordei
: tantas guerras insólitas
do que dormi
: talvez algum sonho pacificador
domingo, 30 de outubro de 2011
alucinação
na faixa
não olho
semáforo
e atravesso
atravesso
minha vida
nas mãos
de uma miragem
com um sorriso
a miragem
me recebe
do outro lado
do outro lado
só há saudade
não olho
semáforo
e atravesso
atravesso
minha vida
nas mãos
de uma miragem
com um sorriso
a miragem
me recebe
do outro lado
do outro lado
só há saudade
terça-feira, 25 de outubro de 2011
morbidez
a fresta
da aurora
não se abriu
e tudo
o que sinto
é noite
sorrisos
não giram
em órbitas
insones
as gralhas
voltam
famintas
e infligem
suas ânsias
as feridas
servem-se
às comensais
não se esculpe
harmonia
em peito
endurecido
as paredes
cantarolam
pavores
e segredam
vertigens
na pele
só aspereza
da voz
que calou
não se fertiliza
mãos secas
de sóis
com lágrimas
e na língua
um viçoso
deserto
a gritar
da aurora
não se abriu
e tudo
o que sinto
é noite
sorrisos
não giram
em órbitas
insones
as gralhas
voltam
famintas
e infligem
suas ânsias
as feridas
servem-se
às comensais
não se esculpe
harmonia
em peito
endurecido
as paredes
cantarolam
pavores
e segredam
vertigens
na pele
só aspereza
da voz
que calou
não se fertiliza
mãos secas
de sóis
com lágrimas
e na língua
um viçoso
deserto
a gritar
domingo, 16 de outubro de 2011
veredicto
dedicado à luz
tua carne
procura carente
a crueldade de unhas
e lâminas?
tanta ingenuidade
merece o castigo
esconder mágoa
em dor menor?
apenas sangue
correrá livre
sofres
o medo de sofrere medra em ti
o medo da morte?
és futuro cadáver
e já tens vermes
a te devorar
não há como
abortar tua cova
o dia de tua morte
anunciou-se
em teu primeiro grito
conforma-te
e dedica o tempo
que te resta
a aperfeiçoar
teu sepulcral elogio
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
desencontro
estremeci
diante da vista
que esperneava
afora da fresta
que me espargia
os caminhos
reclamavam-se
sob a pouca luz
que já não definia
horizonte
nenhum deles
queria me levarpois sabiam
do peso
que lhes cavaria
buracos
é sempre assim
quando acordo
: vejo meu rumo
: vejo meu rumo
fugindo de mim
ressurreição
a carruagem fúnebre
leva teus dias
sem rumo?
retoma as rédeas
: marca o enterro
escolhe teu caixão
a cova
deixe-a precavida
não permita
que as gralhas
que te consomem
anunciem o fim
de tua triste vida
leva teus dias
sem rumo?
retoma as rédeas
: marca o enterro
escolhe teu caixão
a cova
deixe-a precavida
não permita
que as gralhas
que te consomem
anunciem o fim
de tua triste vida
terça-feira, 11 de outubro de 2011
expressão de hoddis
um quarto
uma cama
um cadáver
escaravelhos
banqueteiam-se
com meus restos
braços de noite
atravessam
as paredes
trazem gralhas
ansiosas
das feridas
das feridas
que minhas unhas
ressuscitaram
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
senda
ínfimo espaço
me aprisiona
mas horizonte
não alcanço
antes do verso
um grão estático
me aprisiona
mas horizonte
não alcanço
para quê
ter braços
e pernas
sem o bailado
do tempo?
antes do verso
um grão estático
em chão alheio
esparramada
em lírica
sou torrente
a passar
sem regresso
tudo invado
dessas ânsias
que não sinto
medo
abro
frestas
nas janelas
que se fecham
para mim mas se olho
é visto
a minha espreita
eu tanjo
ao redor
de meus segredos
um labirinto
forjei
há muito
que não sei
em que senda
me perdi
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
vácuo
há dias
não durmo
não choro
não temo
amortecida
nos nervos
na carne
nas vísceras
osso
já não fornica
com cartilagem
não há língua
na meta
da linguagem
só noite
escondida
nas abas
do dia
e o sol
é farol
a desviar
a vista
do caminho
terça-feira, 4 de outubro de 2011
afonia
sem mira
atirei lança
contra minha língua
o verbo partiu
o silêncio morreu
de saudade
as mãos
amortalharam-se
em resignado ato
de punição
atirei lança
contra minha língua
o verbo partiu
o silêncio morreu
de saudade
as mãos
amortalharam-se
em resignado ato
de punição
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
complacência
teu viçobruxuleante
encobre
minha vergonha
tens uma face
que nunca vi
nem olhos tens
nem eu e tu não gemes
em nossa agonianem eu
quando saio de mim
sinto asco daquela
que aguenta teu peso
e tu...
nem eu
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
óbito
hoje não me doei
às lâminas
com a resignação
de quem nasceu
em oferenda
até que dela fosse
ex...traído
todo o sentido
às lâminas
com a resignação
de quem nasceu
em oferenda
a carne esganiçou
estrebuchouaté que dela fosse
ex...traído
todo o sentido
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
ego
o que posso
sem que haja
o que prendo
sem que lace
entremeio
o que corto
sem que lance
o que penso
sem que cace
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