sábado, 8 de março de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
o contradito da maçã
um dia
ela se mete
num vestido
ensolarado
bainha puída
liberta no vento
a cara sem tinta
o cabelo largado
nos ombros
dispara
um passeio
descalço
lépido
puro
noutro dia
ela me chega
de burca
as meninas
dos olhos
quase sumidas
nesse tipo de noite
que mulher
nenhuma quer
as mãos crispadas
de censura
trazendo
por baixo
dos panos
uma liberdade
nua
e sem pelos
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
poema mal acordado
o poema
acorda cedo
vai ao banheiro
alivia-se
resmunga
para a torneira
escorrendo desperdício
enxágua as mãos
passa no rosto
ajeita o cabelo
resmunga
para o espelho
um dia é sempre
outro e passa
resmunga
para as olheiras
vigílias de nada
resmunga
para a janela
o sol que não tem
mas a vida arde
e a vida se quer
invejada
e o poema boceja
para a vida
descompromissado
enfia-se na descoberta
e se finge sonhado
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
réquiem
quem lê melhor
que escreve
vê o amor à letra
se estrebuchando
no poema
mãos bandidas
mãos banidas
denigrem versos
usurpam verves
em contrassenso
mãos bandidas
mãos banidas
ressuscitam poetas
em poemas
de ventríloquo
domingo, 9 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
estratosfera
bem admiro as tertúlias
são vozes eriçadas
que volitam soberbas
sempre que as acariciam
as calandras
cada inserto que pousa
provoca um bizantino
é tanto absentismo
que colossais psicodramas
refestelam-se ao vento
só para tolerar o livre-arbítrio
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