um dia
ela se mete
num vestido
ensolarado
bainha puída
liberta no vento
a cara sem tinta
o cabelo largado
nos ombros
dispara
um passeio
descalço
lépido
puro
noutro dia
ela me chega
de burca
as meninas
dos olhos
quase sumidas
nesse tipo de noite
que mulher
nenhuma quer
as mãos crispadas
de censura
trazendo
por baixo
dos panos
uma liberdade
nua
e sem pelos