a carruagem fúnebre
leva teus dias
sem rumo?
retoma as rédeas
: marca o enterro
escolhe teu caixão
a cova
deixe-a precavida
não permita
que as gralhas
que te consomem
anunciem o fim
de tua triste vida
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
expressão de hoddis
um quarto
uma cama
um cadáver
escaravelhos
banqueteiam-se
com meus restos
braços de noite
atravessam
as paredes
trazem gralhas
ansiosas
das feridas
das feridas
que minhas unhas
ressuscitaram
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
senda
ínfimo espaço
me aprisiona
mas horizonte
não alcanço
antes do verso
um grão estático
me aprisiona
mas horizonte
não alcanço
para quê
ter braços
e pernas
sem o bailado
do tempo?
antes do verso
um grão estático
em chão alheio
esparramada
em lírica
sou torrente
a passar
sem regresso
tudo invado
dessas ânsias
que não sinto
medo
abro
frestas
nas janelas
que se fecham
para mim mas se olho
é visto
a minha espreita
eu tanjo
ao redor
de meus segredos
um labirinto
forjei
há muito
que não sei
em que senda
me perdi
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
vácuo
há dias
não durmo
não choro
não temo
amortecida
nos nervos
na carne
nas vísceras
osso
já não fornica
com cartilagem
não há língua
na meta
da linguagem
só noite
escondida
nas abas
do dia
e o sol
é farol
a desviar
a vista
do caminho
terça-feira, 4 de outubro de 2011
afonia
sem mira
atirei lança
contra minha língua
o verbo partiu
o silêncio morreu
de saudade
as mãos
amortalharam-se
em resignado ato
de punição
atirei lança
contra minha língua
o verbo partiu
o silêncio morreu
de saudade
as mãos
amortalharam-se
em resignado ato
de punição
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
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