negrume
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
des...crença
nas ruas do vilarejo
procissão de santo padroeiro
: quantas orações mais
antes do próximo pecado?
na têmpora
cabelos envelhecem pagãos
domingo, 18 de setembro de 2011
coito
o silêncio
arremete falo
na palavra
: a circunstância
engravida de poesia
em regozijo
os amantes
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a raul macedo
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
luz e tempo
admirável pontaria
de lança
: crucia o impávido
acalenta o temeroso
em altar
a poesia
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a
analuz
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
declive
(harold edgerton)
as linhas da mão
deslizam pelo fio
de faca sem gume
: foi peito que mandou
no solo
um poema suicida
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in agradecimento a
raul macedo
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
duelo
(harold edgerton)
ar...riscarei na pele
sensação plúmbea
: hei de acertar o alvo
e atingir o cerne
do que não sinto
em mediação
o desequilíbrio
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
apologia
(harold edgerton)
egoocêntrica e decadente criatura
: de nebulosa em nebulosa
fura o olho da manhã
em verbete
versos mal...ditos
flagelo noturno
insônia acorrentada
à noite rastejante
: elos castigam
o pensamento
em martírio
tédio e dor
domingo, 11 de setembro de 2011
lua cheia
à noite
imenso prazer
sangra voz
ao ser dito
: amor...teço!
em súplica
reza o luar
sábado, 10 de setembro de 2011
temporal
nos telhados
força de chuva
: uns sus...piram
outros amor...talham-se
em nuvem
saudade passageira
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
singular
minha língua
: ave de rapina
sobre prolixidade
de súbito
súdita erudição
lobo do homem
o lobo do homem
no lombo do dia
: presas sedentas
de sossego
na íris
“...
Ao Deus dará
!”
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
solitude
ocasionou-se pústula
em meu peito
por culpa
de um amor
pestilento
na pele
palidez e solidão
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
enterro de meu avô
(imagem da net)
caixão
corpo
choro
flores
velas
despedida
no subsolo
alegria dos vermes
vício
assombrados dedos
de unhas aflitas
em negro esmalte
descamado
vísceras carcomidas
pelos dentes a ranger
nas horas que se matam
em vertente
meu sangue
lâmina de tempo
se uma folha cai
é lâmina que cai
que retalha a carne
que olha a folha
e decepa a manhã
em negrume
o tic tac das horas
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