domingo, 9 de fevereiro de 2014

mandrágora


deixa o cão
preto
em tuas veias
arrancar o grito
do poema

só assim
ele não te mata

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

estratosfera



bem admiro as tertúlias

são vozes eriçadas
que volitam soberbas
sempre que as acariciam
as calandras

cada inserto que pousa
provoca um bizantino

é tanto absentismo
que colossais psicodramas
refestelam-se ao vento
só para tolerar o livre-arbítrio

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

domingo, 1 de dezembro de 2013

deidade

o poeta
engoliu
alma
naques
de bom
tempo
e arrotou
alforrias

com seus
sapatos
gastos
gatos
sem botas
gordos
e peçonhentos

tripudiou
sobre o tom
do dom
se ser
sem nunca
ter sido

o poeta
comeu
letra
podre
e morreu
na boca
das fugas
que tinha
cuspido


indolor


vivente
em furta-cor
de trégua

esperando
o pavio certo
para estourar


anunciação


a língua revisitada
desbrava a terra
dos telepáticos

a boca aberta
dos sentidos
vomita entrelinhas

(preferes regurgita?)