quarta-feira, 17 de abril de 2013

vincent



a noite
é colorida
e os girassóis
são farsantes

a loucura
fez-se
fresta

o essencial
não faz parte
do corpo

vão-se
as orelhas
ficam as vozes

e seus súbitos

terça-feira, 16 de abril de 2013

banida

língua de víbora
sibila o tempo
pele fria
exala repulsa

os versos
são represas

comportam a pureza
que não tem asas
nem rasteja

não contêm
minha humanidade
meus répteis peçonhentos
que me transbordam

os versos
são represas
que me ignoram

domingo, 20 de janeiro de 2013

íntimo


das entranhas
às vezes lava
às vezes larva

porque é repulsiva
grande parte de nós


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

desaba(fa)ndo (3)

tão caudaloso
torna-se
o amor
dessangrado
do peito

desaba(fa)ndo (2)

lembra-te de mim
: sou a falsa serpente
  que esmagaste a cabeça
  ao beijar-te o calcanhar

desaba(fa)ndo (1)

estou doente
não me curo da ferida que abriste com teu desprezo
não me curo da amargura que causaste ao desconsiderar o que sinto

quando me tornei ameaça, afastaste-me sem uma gota de piedade
e me pôs a culpa
teu egoísmo matou-me em teu peito