domingo, 20 de janeiro de 2013

íntimo


das entranhas
às vezes lava
às vezes larva

porque é repulsiva
grande parte de nós


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

desaba(fa)ndo (3)

tão caudaloso
torna-se
o amor
dessangrado
do peito

desaba(fa)ndo (2)

lembra-te de mim
: sou a falsa serpente
  que esmagaste a cabeça
  ao beijar-te o calcanhar

desaba(fa)ndo (1)

estou doente
não me curo da ferida que abriste com teu desprezo
não me curo da amargura que causaste ao desconsiderar o que sinto

quando me tornei ameaça, afastaste-me sem uma gota de piedade
e me pôs a culpa
teu egoísmo matou-me em teu peito


quarta-feira, 11 de abril de 2012

atrativa

disfarça-se
a voz
em fissuras
distendidas
entre versos


lanho de flor
carnívora
onde o dia
se ostenta
em oferenda


e se eficaz
deglute
digere
e defeca

: pólen

segunda-feira, 9 de abril de 2012

indigência

clandestinamente
opera-se em mim
a retirada de sonhos

assombros
carniceiros
rapinam
os olhos

o fígado já
não atrai
abutre

e a pustulenta língua
nem em esmola
sugere cura