segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
nosso rascunho
ao conhecer
teu silêncio,
desenharei teus olhos
nas palmas das mãos.
pelos dias
não tatearei
para não te
cegar
e fecharei meus olhos
das angústias
para não perder
teu horizonte.
se almas dadas
traçam o mesmo
rumo,
embora as superfícies
passeiem
diferentes caminhos,
ali adiante
há de nos alcançar
nosso infinito!
domingo, 1 de janeiro de 2012
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
ponto negro para páginas brancas de claridade duvidosa
os versos
vejo-os carregar os corpos
vejo-os carregar o peso
de tantas amarguras
e não se curvam
firmes
transportam a inquietação
para um plano
não projetado
como acontece ao lixo
que a mão doméstica se livra
sem querer saber a que fim
será destinado
os versos são caixões
(imagem a mim tão certa!)
de tantos eus
que aniquilam suas faces
por suportarem corrosivos disfarces
a que submetem a própria identidade
os versos são heróis
não condecorados pelos atos de bravura
para os quais sequer foram treinados
a um mínimo sinal de batalha
lá são eles convocados
enviados (ao inimigo?)
e postos à linha de frente
das intenções de um sujeito
que se diz sensível!
os versos
são devorantes dos pecados
do poeta
(o compurgado)
* tomei posse do título do texto de Jorge Pimenta
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
calmarias
1
singra-me o medo
: este corsário
a pilhar
minhas ondas
indômitas
2
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singra-me o medo
: este corsário
a pilhar
minhas ondas
indômitas
2
cortinas eretas
velam
minha inflexão
rogam
ao silêncio
que aplaine
tanto cansaço
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sábado, 10 de dezembro de 2011
mito
sem peso
a lâmina do dia
afunda na carne
que a desafia
o pescoço enviúva
nos braços da guilhotina
armada para decepar
evolução
sob a guarda de
sísifo
a cabeça rola
infinitamente
derrota abaixo
derrota acima
nenhum atenuante
testemunha
tanta inflição
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a lâmina do dia
afunda na carne
que a desafia
o pescoço enviúva
nos braços da guilhotina
armada para decepar
evolução
sob a guarda de
sísifo
a cabeça rola
infinitamente
derrota abaixo
derrota acima
nenhum atenuante
testemunha
tanta inflição
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
o baú
o baú
presença inquisidora
aos pés da cama
dentro dele
mofada
amarelada
minha vida
descartada
subliminar
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presença inquisidora
aos pés da cama
dentro dele
mofada
amarelada
minha vida
descartada
subliminar
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