arreganham-se as presas
do poeta.
foge da caça, musa!
tolo é o partir
que se finca espera!
assanha o brio
em desbocada lira
e te escreve sã
e salva da quimera!
I
o dedo
no interruptor
acende
pavio
curto
momento
de prazer
II
papel
giz
de cera
um pequeno
dom
para o abstrato
e
uma
dose extrema
de alienação
III
os dedos
são vinte
ou sem
são livres
ou pés
pelas mãos
IV
uma antena
para vênus
e
fio-terra
para
estímulos
vis
V
ansiolíticos
descomprimidos
e sais
sãos e salvos
do perigo
eu
a noite
é colorida
e os girassóis
são farsantes
a loucura
fez-se
fresta
o essencial
não faz parte
do corpo
vão-se
as orelhas
ficam as vozes
e seus súbitos
língua de víbora
sibila o tempo
pele fria
exala repulsa
os versos
são represas
comportam a pureza
que não tem asas
nem rasteja
não contêm
minha humanidade
meus répteis peçonhentos
que me transbordam
os versos
são represas
que me ignoram
das entranhas
às vezes lava
às vezes larva
porque é repulsiva
grande parte de nós
tão caudaloso
torna-se
o amor
dessangrado
do peito