sexta-feira, 16 de agosto de 2013

postulado



arreganham-se as presas 
do poeta.
foge da caça, musa!
 
 
tolo é o partir
que se finca espera!

 
assanha o brio
em desbocada lira
e te escreve sã
e salva da quimera!

domingo, 12 de maio de 2013

o sem nexo da cura



I
o dedo 
no interruptor
acende
pavio
curto
momento
de prazer

II
papel
giz 
de cera
um pequeno
dom
para o abstrato
e
uma
dose extrema
de alienação

III
os dedos
são vinte
ou sem
são livres
ou pés 
pelas mãos

 
IV
uma antena
para vênus
e
fio-terra
para
estímulos
vis

V
ansiolíticos
descomprimidos
e sais
sãos e salvos
do perigo
eu




 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

vincent



a noite
é colorida
e os girassóis
são farsantes

a loucura
fez-se
fresta

o essencial
não faz parte
do corpo

vão-se
as orelhas
ficam as vozes

e seus súbitos

terça-feira, 16 de abril de 2013

banida

língua de víbora
sibila o tempo
pele fria
exala repulsa

os versos
são represas

comportam a pureza
que não tem asas
nem rasteja

não contêm
minha humanidade
meus répteis peçonhentos
que me transbordam

os versos
são represas
que me ignoram

domingo, 20 de janeiro de 2013

íntimo


das entranhas
às vezes lava
às vezes larva

porque é repulsiva
grande parte de nós


segunda-feira, 17 de setembro de 2012