o corpo é feito de fissuras
: não convém
regresso
de súbito
a peito (de)
que se partiu
se a carne
obsecra
a partida
a força
gravitacional
da mágoa
expurga
toda invasão
pelas brechas
que não se fecham
nunca
não convém
segurar
vômito
lírico
se a voz
regurgita
poesia
a força
levitacional
do dia
expurga
toda a retenção
pelas brechas
que não se fecham
nunca...
e as entranhas exibem-se
la(r)vas
sábado, 7 de abril de 2012
falecer
vociferar em versos
como se tabu fosse
falar de amor
quando o amor suicida-se...
o que resta a um peito
amortalhado?
como se tabu fosse
falar de amor
quando o amor suicida-se...
o que resta a um peito
amortalhado?
sábado, 24 de março de 2012
controle
pintei as unhas
na intenção
de que o cheiro
do esmalte
sufocasse seus
instintos
famintos
pelo sangue
que a carne
finge ser
carmim
na intenção
de que o cheiro
do esmalte
sufocasse seus
instintos
famintos
pelo sangue
que a carne
finge ser
carmim
sexta-feira, 23 de março de 2012
panorâmica
o dia punge temores
diante da opulência
da poesia
olhar de medusa
impresso nas divisas
da voz e do silêncio
ter horizonte enquadrado
é dizer
covas vazias
como toda fotografia
que vaza
pela borda da moldura
que no espaço do verso
toda imagística
seja máquina sem tempo
*
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