sexta-feira, 23 de março de 2012

panorâmica

o dia punge temores
diante da opulência
da poesia

olhar de medusa
impresso nas divisas
da voz e do silêncio

ter horizonte enquadrado
é dizer
covas vazias

como toda fotografia
que vaza
pela borda da moldura

que no espaço do verso
toda imagística
seja máquina sem tempo


*

quinta-feira, 22 de março de 2012

blackout

nuvem intensa
cobre de sombra
a dona das mãos

: o dia volta
  a sentir minha lâmina

Amor

cobra de veneno
silente
não desperdiça uma gota

: todo ele
  rega a própria carne!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

nosso rascunho




ao conhecer
teu silêncio,
desenharei teus olhos
nas palmas das mãos.

pelos dias
não tatearei
para não te
cegar

e fecharei meus olhos
das angústias
para não perder
teu horizonte.

se almas dadas
traçam o mesmo
rumo,
embora as superfícies
passeiem
diferentes caminhos,

ali adiante
há de nos alcançar
nosso infinito!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ponto negro para páginas brancas de claridade duvidosa

os versos

vejo-os carregar o peso
de tantas amarguras
e não se curvam

firmes
transportam a inquietação
para um plano
não projetado

como acontece ao lixo
que a mão doméstica se livra
sem querer saber a que fim
será destinado

os versos são caixões
(imagem a mim tão certa!)

vejo-os carregar os corpos
de tantos eus
que aniquilam suas faces
por suportarem corrosivos disfarces
a que submetem a própria identidade

os versos são heróis
não condecorados pelos atos de bravura
para os quais sequer foram treinados

a um mínimo sinal de batalha
lá são eles convocados
enviados (ao inimigo?)
e postos à linha de frente
das intenções de um sujeito
que se diz sensível!

os versos
são devorantes dos pecados
do poeta
             (o compurgado)



* tomei posse do título do texto de Jorge Pimenta

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